quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Colômbia destituiu 27 militares 'por execuções'

O governo da Colômbia destituiu 27 militares, nesta quarta-feira, acusados de envolvimento no desaparecimento e assassinato de jovens inocentes para inflar estatísticas de combate à guerrilha. Entre os destituídos estão três generais.

A acusação afirma que há indícios de que jovens civis e pobres das periferias de Bogotá foram seqüestrados e mortos para depois serem apresentados como membros de grupos armados, que teriam morrido em combate.

Eles seriam levados para o norte do país e depois executados, com o objetivo de mostrar que o combate à guerrilha estava dando certo.

O escândalo começou a ser investigado depois que foi descoberta uma vala comum com o corpo de 19 jovens que haviam desaparecido. Segundo familiares, os jovens foram atraídos para as regiões de conflito por ofertas de emprego atraentes e nunca mais voltaram.

O governo afirmou que repudia a possível prática das execuções. "Não podemos permitir que se confunda a eficácia na luta contra os delinqüentes com a covardia para enfrentá-los, a distorção da eficácia assassinando vítimas inocentes", afirmou Uribe, ao anunciar a destituição dos militares.

"Essas descobertas mostram que em algumas instâncias do Exército houve negligência, falta de cuidados com os procedimentos que têm que ser observados e isso permitiu que algumas pessoas pudessem envolver-se em crimes, crimes (que são) resultado da confabulação entre delinqüentes e integrantes do Exército", acrescentou Uribe.

Além dos 27 militares destituídos, que serão julgados pela Justiça, o Ministério Público investiga a 2,3 mil servidores públicos por suposto envolvimento nas execuções extrajudiciais.

O escândalo não tem precedentes no país e o governo vem sendo duramente criticado por organizações de direitos humanos.


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